Guarnicê
o filme

Notícias

19/05 - Pelo Ouvido Escolhido Para mais um Festival Internacional
15/12 - Filmes maranhenses premiados na 7ª edição do FESTCINE AMAZÔNIA e Pelo Ouvido é o único brasileiro em Londres.
03/11 - “Pelo Ouvido” continua seu caminho de sucesso: Foi selecionado para o Fest Cineamazônia de Porto Velho, Rondônia, para o Tallgrass International Film Festival 2009 em Kansas, nos Estados Unidos e para o Festival Internacional de Cine de Cancún 2009
15/10 - “Pelo Ouvido” é selecionado para festivais em Madri e em Belém.
21/09 - “Pelo Ouvido” é selecionado para o Atlanta Underground Film Festival e para o Naperville Independent Film Festival nos Estados Unidos.
06/08 - “Pelo Ouvido” Ganha prêmio de melhor filme no Newport Beach Film Festival e é selecionado para mais três festivais internacionais: 8º Route 66 Film Festival nos Estados Unidos, 3º Brazilian Film Festival of Toronto no Canadá e o 19th London Latin America
16/07 - “Pelo Ouvido” selecionado para o 20º Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo e para o V Ibero Brasil Cine Festival, “Padre Nosso”, finalista do Cel-U-Cine e Joaquim Haickel é eleito para Academia Maranhense de Letras.
26/06 - Joaquim Haickel é homenageado no 32º Festival Guarnicê no momento em que seu filme, “Pelo Ouvido”, completa um ano tendo sido selecionado para mais de 100 festivais e mostras de cinema no Brasil e no exterior, onde ganhou 11 prêmios.
11/05 - “Pelo Ouvido” Concorrendo no Canadá, nos Estados Unidos e no Brasil.
21/04 - “Pelo Ouvido” ganha seu 11º prêmio em 10 meses, participa do prêmio aquisição Canal Brasil e é selecionado para o Seattle International Film Festival e para o Jacksonville Film Festival.
07/04 - “Pelo Ouvido” recebe prêmio especial do júri na Mostra de Cinema Llatinoamericà de Catalunya.
26/03 - Por onde andará “Pelo Ouvido”?
09/03 - Melhor curta-metragem: "Pelo Ouvido"
04/03 - "Pelo Ouvido" selecionado para festivais em Paris, na França, Miami, nos Estados Unidos e no Rio de Janeiro e em Pelotas, no Brasil.
12/02 - "Pelo Ouvido" selecionado para mais três festivais internacionais: Catalunya e Cádiz na Espanha e Syracuse nos Estados Unidos.
15/01 - "Pelo Ouvido" selecionado para festivais na Bélgica, na França, na Colômbia e na Espanha.
26/12 - Pelo Ouvido encerra o ano aplaudido em Havana, premiado em Teresina e selecionado para mais 5 Festivais: Hollywood,Oxford, Beijing, Beverly Hills e Beloit.
01/12 - Novembro se foi e Pelo Ouvido continua na estrada: Muriaé, Três Rios, São Carlos, Varginha, Manaus, Vitória, Cusco, Luton, Hamburgo, Saint Louis, Miami e Huelva.
03/11 - Pelo Ouvido ganha o festival de cinema de Natal, no Rio Grande do Norte e é selecionado para mais 3 festivais: o #9 Filmeshock, de Luton, no Reino Unido, o 16º Festival de Vídeo de Teresina e o 7º Festival Nacional de Cinema Varginha.
01/11 - Pelo Ouvido em mais 2 Festivais: V Festival Internacional de Cortometrajes de Cusco e no II Perro Loco – Festival de Cinema Universitário Latino-Americano de Goiânia.
25/10 - Pelo Ouvido é o único curta metragem brasileiro selecionado para o 34 º Festival de Cine Iberoamericano de Huelva, na Espanha.
21/10 - Pelo Ouvido ganha prêmio de melhor filme na Filadélfia.
13/10 - Pelo Ouvido em mais 6 Festivais: Havana, Miami, Vitória, São Carlos,Três Rios e Muriaé.
03/10 - “Pelo Ouvido” selecionado para o 17th Annual St. Louis International Film Festival, para o 7º Festival Curta Natal, para a III Mostra Curta Audiovisual de Campinas e para o 5º Amazonas Film Festival.
03/10 - Hoje é dia de UBIRATAN TEIXEIRA
22/09 - Pelo Ouvido selecionado para mais dois festivais internacionais, desta vez na Alemanha.
03/09 - Pelo Ouvido em Hollywood, Filadélfia, Bogotá, Salvador e Goiânia
31/08 - Pelo Ouvido convidado para o Backyard Short Film Festival.
25/08 - Festival Internacional de Cinema de Montreal
21/08 - Festival de Montreal supera crise e inicia nova etapa
19/08 - Pelo ouvido entre os três
14/08 - Performance de Pelo Ouvido
22/06 - Cinco prêmios em oito dias: "Pelo Ouvido", de Joaquim Haickel
08/06 - Maranhão no Festival de Cinema de Boston

22/06 - 00h00

Cinco prêmios em oito dias: "Pelo Ouvido", de Joaquim Haickel

Entre os dias 14 e 21 de junho, o filme “Pelo Ouvido”, adaptado, produzido e dirigido por Joaquim Haickel foi premiado em três festivais. No Boston International Film Festival, nos Estados Unidos onde ele levou o prêmio de melhor direção, no II Festival Curta Cabo Frio, onde recebeu o prêmio especial do júri e o prêmio de melhor atriz para Amanda Acosta e no 31º festival Guarnicê de Cinema de onde saiu com os prêmios de melhor filme do júri popular e novamente de melhor atriz para Amanda Acosta.

O filme é baseado no conto homônimo de Haickel, que além de realizar trabalhos no cinema e literatura, também é deputado. O texto foi escrito na década de 80, quando o diretor participava da revista cultura Guarnicê e ainda ensaiva os primeiros passos na política. A trama gira em torno das relações de um casal, cujo protagonista, após acidente, tornou-se cego, surdo e mudo. Cerca de 40 pessoas trabalharam na produção do filme, que custou aproximadamente 150 mil reais.

Confira abaixo uma pequena entrevista com o diretor e o conto que deu origem ao filme.

Curta o Curta – Como nasceu a idéia do filme?
Joaquim Haickel - Em outubro de 1991, o escritor gaúcho Caio Fernando Abreu veio a São Luís ministrar um curso para jovens poetas, escritores, jornalistas e universitários maranhenses.Cada dia alguém da oficina indicava um conto para ser lido por e depois havia uma rodada de discussões e comentários.

Sugeri a leitura do conto "Pelo Ouvido", dizendo-o de David Linch. Lido o conto, a maioria do grupo – inclusive o próprio Caio Fernando Abreu – reconheceu traços cinematográficos que ligavam o texto a experiências do soturno diretor. No dia seguinte, o constrangimento foi geral quando todos souberam que eu havia escrito o conto Pelo Ouvido em 1983, e não David Linch.
COC - Quanto tempo durou a produção? Qual a maior dificuldade que você enfrentou?
Haickel - Adaptamos o roteiro em 30 dias. Aprovamos o projeto no Minc em 60. Enquanto isso, adiantávamos a pré-produção. Gravamos em 5 dias. Desenvolvemos uma trilha sonora original, montamos e finalizamos em mais 90 dias.

Foram 6 meses de um trabalho extremamente prazeroso. Tive a sorte de contar com uma equipe de primeira: Cássia Mello, Arturo Sabóia, o pessoal da Mutante Filmes, etc. Dificuldade mesmo só para conseguir patrocinador.

COC – Esse é seu primeiro filme?
Haickel - Pode-se dizer que sim. Participei de um grupo que fazia filmes em super 8 no inicio dos anos 80 em São Luis. Fizemos até um filme que ganhou os prêmios de melhor filme maranhense tanto do júri técnico, quanto do júri popular. Chamava-se “The Best Friend – O Amigão”. Agora, paralelamente ao “Pelo Ouvido” fiz outro filme, “Padre Nosso”, editado em duas versões, 1 minuto e 4 minutos.

COC – O filme tem participado de outros festivais?
Haickel - Para mim foi indispensável a contratação do Curta o Curta para distribuir o filme em 50 festivais nacionais. Quanto aos festivais internacionais, minha amiga Lyvia Viana tem feito um trabalho incrível de distribuição. Estamos participando da pré-seleção de outros 50 festivais fora do país e acabamos de saber que estaremos na sessão Focus on World Cinema do Festival Des Films Du Monde, em Montreal no Canadá, em agosto.

COC- Você está fazendo outro filme agora?
Haickel - Tenho uns quatro projetos em mente. Um documentário sobre as relações entre eleitor e candidato durante uma campanha política. Um docudrama sobre um personagem da historia maranhense, que ainda não foi escolhido. Pode ser o Padre Antonio Vieira, Gonçalves Dias, Sousândrade, Ana Jansen, os irmãos Artur e Aluízio Azevedo, Joaquim Gomes de Sousa, O caso vergueiro ou sobre as ricas famílias maranhenses do inicio do século 20.

Há muito assunto. Alem disso quero encontrar alguém que me ajude a adaptar algumas historias de meu livro de contos, A Ponte. E principalmente, quero fazer um longa-metragem baseado no mundo do cinema. A vida das pessoas que estudam esse oficio, essa arte. Tudo a cerca dessa gente, de seu trabalho e de seus sonhos. Uma homenagem ao cinema, os cineastas e aos cinéfilos.

COC -Por que e para que fazer curtas no Brasil de hoje?
Haickel - É fazendo curta que se aprende a fazer longas! É praticando que se aprimora e a maneira mais fácil de se praticar é fazendo, e pra se poder fazer temos que começar fazendo mais barato, mais simples. Há outro motivo de porque e pra que se deve fazer curta metragem. Essa é uma linguagem única, a capacidade dizer em 15 ou 20 minutos o que alguns levam 90 ou 120. Curtas e longas estão para literatura como conto e romance. Para um há um mercado estabilizado e demanda para o outro não, mas nem por isso deve se deixar de fazê-lo.

Pelo ouvido, o conto

Cego era Churck. Cego e surdo.
Em verdade Churck era cego, surdo e mudo.
Kate não era sadia. Talvez não muito sã, mas sadia.

*

Casaram-se em Richmond e foram morar em Washington, num bairro antigo - Georgetown.
Kate trabalhava numa fábrica de sutiãs - telefonista.
Churck recebia pensão do exército. Na Coréia, uma granada estourou-lhe os tímpanos, arrancou-lhe as cordas vocais e vazou-lhe os olhos. Mas foi só.

*

Voltou pra casa e casou com a namorada de infância Katarrine Hampumt.
Kate o amava muito. “Kate o ama muito” - comentava-se.

*

Voltar pra casa, encontrar Churck e amar era o que se passava pela cabeça dela desde a saída.
Chegava, preparava banho pra dois. Espuma e amor na banheira.
Churck adorava. Kate nem tanto. Preferia na cama.

*

Depois do chá com torradas, Kate lia - Dashiell Hammett - em voz alta.
Churck nada ouvia. Pintava: mulheres - azuis, verdes, lilases, sempre mulheres nuas - nada via.

*

Onze horas, a de deitar. Kate sorria - hora de sentir prazer. Primeiro adaptava o headfone com o qual trabalhava a seu aparelho, discava: Chevy Chase, 3951.

*

“Alô!” - Kate.
“Estava ansioso...” - voz masculina do outro lado da linha.

*

Kate e Churck se amavam, Churck nada falava.
Kate ouvia.
Matéria publicada no site www.curtaocurta.com.br

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